Minervas
da vida real
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| Elizabeth Savalla: a Minerva de Morde e Assopra |
Vergonha. Palavra que descreve bem o sentimento da sociedade com relação
ao comportamento das primeiras-damas de algumas cidades de São Paulo e Alagoas
que foram denunciadas pelo programa “Fantástico” do último domingo, 27/11. Elas desviavam
dinheiro público para sustentar seus gastos pessoais e até fúteis, como uísque
e ração para cachorro, além de outras irregularidades. Isso até me lembrou uma
novela que estreou em março deste ano. Transmitida pela Rede Globo, a novela Morde
e Assopra tinha como um dos personagens Minerva, uma primeira-dama fútil que
fazia licitações para supostos problemas na cidade, mas na verdade usava todo o
dinheiro para sustentar luxos como vestidos caros. Assistindo a essa novela eu
ficava pensando em que o autor se baseou pra criar aquela personagem. Hoje eu
sei que ele se baseou na realidade, e até tenho um palpite sobre o porquê da atitude
irresponsável dessas mulheres.
Alguns diriam que esse comportamento fútil vem do descaso com a sociedade,
outros diriam que vem da necessidade de ostentar o luxo para causar uma
impressão de superioridade, mas eu tenho uma sugestão a mais: má formação
familiar. Não querendo fazer um discurso cristão, mas todo o caráter de uma
pessoa é formado pela convivência em família e seu comportamento é definido na
infância que é o ponto de partida e a fase crucial para a definição de uma
pessoa como futura cidadã.
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| "Damas da Corrupção" |
Na infância, muitas crianças de uma classe social mais elevada são
levadas desde bem cedo a ter um comportamento elitista e consumista. Os
comerciais de televisão levam as crianças a quererem tudo o que não tem. Os
pais já não sabem conter o desejo de querer sempre mais e acabam fazendo com
que elas levem isso para a vida adulta. Quando se vêem sem ter as coisas que
querem e gostam, apelam para o comportamento mais inadequado.
Se pararmos para observar, a maioria das pessoas de bem já foram pobres
ou passaram por dificuldades financeiras que não lhes davam o direito de “bater
o pé” por alguma coisa que queriam. Até mesmo as que sempre tiveram condições
financeiras, os pais haviam lhes colocado limites, que faziam com que aquela
criança entendesse que o que ela estava fazendo é errado.
Na novela, o final não poderia ser outro: a antiga primeira dama vira
prefeita e continua com suas falcatruas sem ser descoberta, mas a realidade não
precisa nem deve ser assim. Talvez a novela tenha vindo para nos alertar sobre
o que tem acontecido no Brasil e nos fazer refletir sobre nossas próprias
atitudes, mas enquanto a família não melhorar, continuaremos convivendo com a
falta de caráter de alguns brasileiros.
Texto: Maiana Melo


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